domingo, 8 de agosto de 2010

Tony e Marlene


Tony e Marlene (Tony Lemos e Filipa Lemos dos Santamaria)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ele e Ela

O José Crispim foi às Noites Marcianas, acompanhado da sua oitava mulher, contabilidade de que se orgulha, uma vez que, entre casamentos e uniões de facto, a média nacional talvez deva andar entre dois a três "per capita" numa vida (enfim, isto é a olho). Foi no início da madrugada de ontem, obviamente cumprindo na íntegra a lei da televisão.

Os dois, o Crispim e a mulher, formam o conjunto Ele e Ela, um sucesso de vendas nas barracas das feiras daquilo a que chamam o "Portugal profundo". Ela, a quem ele define como o verdadeiro talento do grupo, tem um olhar sereno. Ele fala a cem à hora. Têm dois filhos, que estavam na plateia, o mais novo ainda não é adolescente.

Carlos Cruz estava satisfeito por ter o Crispim à mão, que ainda por cima o considera (a Carlos Cruz) uma espécie de anjo na terra, continuamente traído por gente a quem ajudou a subir na vida. Obviamente que o Crispim fez várias revelações marcianas, nomeadamente aquela de que a mulher se queixa do tamanho do pénis que Deus lhe deu e que já tinha pensado em fazer uma operação para o aumentar; etc., etc,.

Depois de alguns "eteceteras", o Crispim confessa que, depois de ter durante anos batido na mulher, agora é ele que leva. Felipa Garnel, outra das convidadas, foi a única que tentou ensaiar alguma indignação: "Mas batia-lhe?" A mulher confirma, sem perder a serenidade que desde o início mostrou: "Batia, batia." Crispim justifica-se: "Era o ciúme." Garnel insiste: "Então era o ciúme que batia, não era você?" Era mesmo o "ciúme". Havia demasiados risos e a alegria tanto dele como dela, talvez por se verem na televisão, talvez porque é mesmo assim, acabou com quaisquer outras veleidades e manifestações de estranheza por parte de Felipa Garnel.

Ora aqui está um crime, segundo foi aprovado pela Assembleia da República há mais de um ano, por unanimidade ou perto disso, contra quem considerava não dever a justiça meter-se na esfera privada através da utilização desse instrumento jurídico poderoso que é o crime público. Ao fim e ao cabo, e como ficou provado do pequeno diálogo de Crispim e mulher, pode haver sempre lugar para o perdão e são convívio.

Alguns dos opositores da lei desabafaram mesmo, com aquela tendência para o pagode que a todos e a cada um nos caracteriza a tempos variáveis, que "já não se podia dar um sopapo" em paz e sossego. Neste filme, trivial para alguns, que a lei designa como "violência doméstica", os protagonistas vão para além do universo do duo Ele e Ela e, como já começa a ser do domínio público, estende-se às "boas famílias", ministeriáveis, presidenciáveis de várias organizações, politicamente correctos guardiões da sua vida privada. Aprovada, publicada em "Diário da República" e em vigor, será possível saber até onde tem, para lá de um eventual efeito dissuasor, chegado a mão da lei?

Ana Sá Lopes / Público, 07/07/2001
Ele e Ela - Pão e Rosas

imagem

terça-feira, 20 de julho de 2010

Aquele querido mês de Agosto

«Aquele querido mês de Agosto», a segunda longa-metragem do realizador português Miguel Gomes, antestreia-se quarta-feira em Cannes, na Quinzena dos Realizadores, evento que decorre durante o festival de cinema francês.

Produzido pela O Som e a Fúria, o filme centra-se num triângulo amoroso entre pai, filha e sobrinho, músicos de uma banda de música popular que percorre em Agosto várias festas populares do norte do país.
«Aquele querido mês de Agosto», que adopta o título de uma canção do cantor Dino Meira, foi rodado em aldeias de Arganil, Oliveira do Hospital, Góis e Tábua durante as festas de Verão e com actores não profissionais.

«Desde pequeno que faço férias na região e a ideia deste filme nasceu da observação dessas festas de Verão», disse o realizador à agência Lusa na véspera da antestreia mundial do seu filme em Cannes.
São festas de Verão, muitas delas associadas a celebrações religiosas, em aldeias que se enchem de emigrantes e de pessoas que vivem nas cidades e que no resto do ano estão desertas e despovadas, lembra Miguel Gomes.

O filme acompanha a banda de baile nos palcos e as várias situações amorosas que acontecem entre aquelas personagens. Tudo isto tendo em pano de fundo uma banda sonora feita de canções comummente apelidadas de «música pimba».

«Eu não gosto desse termo porque dá uma ideia de inferioridade em relação aos outros géneros e nós encontrámos canções que, apesar de serem pirosas, tem qualquer coisa de verdadeiro e encaixam-se, sobretudo as mais românticas, no melodrama em que se transforma a história», descreveu Miguel Gomes.
«Aquele querido mês de Agosto», tem ainda uma participação minoritária de França na produção, apoio financeiro do Instituto do Cinema e Audiovisual e da RTP.

O argumento é de Miguel Gomes, de Mariana Ricardo (ex-vocalista dos Pinhead Society) e de Telmo Churro.

Do elenco fazem parte Sónia Bandeira, Fábio Oliveira, Joaquim Carvalho, Andreia Santos, Armando Nunes, Manuel Soares, Emmanuelle Fèvre, Paulo Moleiro e Luís Marante.

Esta é a segunda longa-metragem de Miguel Gomes, 35 anos, depois de «A cara que mereces» (2004) e de várias curtas-metragens como «Entretanto», «Inventário de Natal», «Kalkitos» e «Cântico das criaturas». A Quinzena dos Realizadores, que está a festejar 40 anos, termina no dia 25.

Diário Digital / Lusa, 20/05/2008

Sinopse

No coração de Portugal, serrano, o mês de Agosto multiplica os populares e as actividades. Regressam à terra, lançam foguetes, controlam fogos, cantam karaoke, atiram-se da ponte, caçam javalis, bebem cerveja, fazem filhos. Se o realizador e a equipa do filme tivessem ido directamente ao assunto, resistindo aos bailaricos, reduzir-se-ia a sinopse: «Aquele Querido Mês de Agosto acompanha as relações sentimentais entre pai, filha e o primo desta, músicos numa banda de baile». Amor e música, portanto.

http://www.osomeafuria.com/films/3/1/

Ana Malhoa

Em cima capa do disco de 2009.
Ana Malhoa também apareceu nas capas das revistas Playboy e FHM.

domingo, 11 de julho de 2010

Espacial / Mundo Música Flaviense

O marido de Ágata, Francisco Carvalho, é um empresário de sucesso, com negócios no mundo da música e do futebol.

Francisco Carvalho é um dos quatro proprietários da editora Espacial e da empresa de distribuição discográfica Mundo da Música Flaviense e iniciou este ano, em parceria com Manuel Mota, a carreira de empresário desportivo, através da Young Foot.

A Espacial é a editora de 33 artistas portugueses, grande parte deles já muito conceituados. Representados por esta editora estão além de Ágata, Tony Carreira, Quim Barreiros, Ruth Marlene, Emanuel e Toy. Embora as vendas variem em torno de cada disco e em função da popularidade de cada artista, as receitas das vendas excedem quase sempre as expectativas. Segundo uma fonte da Espacial, um CD de um músico conhecido vende mais de 30 mil exemplares num ano.

Por outro lado, a empresa desportiva Young Foot trabalha com mais de 40 atletas – tendo colocado jogadores em equipas da SuperLiga e da 2ª e 3ª Divisão – e tem também negócios no Brasil e Japão, onde têm já alguns jogadores colocados.

Igor e Toni (Estrela da Amadora), Paulo Gomes (Boavista), Diego (Braga), Roberto (Penafiel), Rodrigão e Wegno (Marco) e Wilsinho e Vitinha (Feirense) são alguns dos atletas que representam. A captação dos jogadores é realizada em Portugal, mas recentemente a Young Foot contratou atletas oriundos do Brasil.

Luís C. Ribeiro e Andreia Valente, Correio da Manhã, 23/07/2005

Diga-se por curiosidade que a dona da "Agata Produções" é a companheira do dono da "Espacial " que também é o dono da empresa distribuidora dos CD's " Mundo da Musica Flaviense" . Este ultimo é conhecido em Chaves pelo " CHICO DAS CASSETES " porque começou na vida como feirante , a vender cassetes .


O Mundo Música Flaviense
Com. Cassetes e Discos, Lda.

Musical instr, Record & prerecorded tape stores - Ret. Instr. Musicais/Discos

Henrique Nércio - Director Informática
Paulo Queirós (Eng.) - Director Comercial/Vendas
Fernando Brás - Director Marketing

Lugar da Lama do Moinho
5400 - VILA VERDE DA RAIA

(076) 92 73 10 (076) 92 72 24

Source/Fonte: SPIE

terça-feira, 29 de junho de 2010

Quinzinho Portugal

Nas minhas canções há ingredientes culturais'

A vida dá muitas voltas...

Que o diga Joaquim Caixeiro, de 53 anos. Foi jogador de basquetebol, pertenceu ao grupo Brigada Victor Jara, trabalhou numa Companhia de Seguros, actuou em bares como cantor e entertainer humorístico...
Até que um dia decidiu criar uma personagem e lançar um disco a brincar com a música pimba. Nascera o Quinzinho Portugal! Foi a música dos anos 60 e 70 que na juventude o despertou para o fenómeno musical. "Eu não fui alheio ao boom dessa época e como tinha um certo jeito para tocar e cantar dediquei-me um bocado à música e andei por aqueles conjuntos de garagem e de festas que interpretavam versões de temas anglo-saxónicos. Eu cantava e tocava bateria e percussões", recorda Quinzinho Portugal. Joaquim Caixeiro viveu grande parte da sua juventude em Angola, residindo em Luanda entre os 12 e os 26 anos. E lá, para além do gosto pela música, desenvolveu também uma carreira desportiva como jogador de basquetebol. "Jogava na posição de base e fui campeão nacional pelo Sport Luanda e Benfica, em 1967 - nessa altura os campeonatos eram disputados com os campeões de Angola, Moçambique e Portugal continental." Quando voltou a Portugal, em 1974, ainda jogou no Sporting Conimbricense e na Académica de Coimbra. "Joguei até perto dos 30 anos mas sempre mantendo a actividade musical em paralelo, como hobbie." Tanto a música como o basquete não eram nessa altura o seu ganha pão. "A minha actividade profissional foi, durante 14 anos, desenvolvida numa companhia de seguros."

A 'esquerda festiva' na Brigada

Em Coimbra, através de José Maria Vaz de Almeida, um amigo de Angola ali reencontrado, Joaquim Caixeiro é convidado a ingressar no grupo Brigada Victor Jara. "Eles tinham começado há poucos meses e como estavam a precisar de um percussionista e de um cantor convidaram-me. Entrei já na fase dos espectáculos, pois a génese da banda deu-se através das, então designadas, brigadas de alfabetização, onde não cheguei a participar." Joaquim seria a voz original do grande êxito da Brigada, inserido no álbum de estreia "Eito Fora", o "Pezinho da Vila" - "Ponha aqui o seu pezinho, devagar devagarinho..." Dentro do trabalho de recolha do cancioneiro tradicional que a Brigada fazia "fomos buscar esse tema aos Açores. Foi a minha mãe, que é açoriana, que nos deu a conhecer essa canção". Com a Brigada Victor Jara em período de intensa actividade, realizando espectáculos pelo País inteiro e no estrangeiro, Joaquim Caixeiro viveu "uma altura muito rica de experiências, de aquisição de conhecimentos, o que me deu uma visão do mundo completamente diferente". Pouco identificado com opções políticas - pois "vim de África completamente tapado nessa matéria" - quando chegou a Portugal entrou "na chamada esquerda festiva... Viajava-se, tocava-se, bebia-se uns copos, havia umas miúdas giras e aquilo era muito engraçado. Acção política, propriamente dita, nunca tive. Vivi a coisa mais pelo lado lúdico." Joaquim Caixeiro permanece no colectivo da Brigada Victor Jara durante seis anos, período durante o qual participou em três álbuns - "Eito Fora", "Quem Sai Aos Seus" e "Tamborileiro". Em 1981 é reintegrado nos quadros da Companhia de Seguros para quem já havia trabalhado em Angola, acabando por conseguir colocação numa delegação em Lisboa. Na capital, em pleno centro nevrálgico da actividade musical portuguesa, tem oportunidade de colaborar com o cantor Carlos Mendes no projecto "Triângulo do Mar", bem como com Pedro Osório e Carlos Alberto Moniz. "Ajudei-os em alguns espectáculos, tocando percussões ou fazendo coros, pois eu não sou exactamente um músico ou compositor." Mas não deixa de ser um letrista que gosta de escrever os seus próprios textos de humor. "Essa minha veia humorística levou-me a actuar em bares aos fins-de-semana. Cantava e dizia umas piadas." Como viu que com essa actividade podia ganhar a vida e "por estar farto do nine to five da companhia de Seguros, sub-aluguei um bar, a Casa da Lina". Seis meses depois decidiu comprar e montar a sua própria casa, o "Vicente Borga Bar", na Madragoa.

Quinzinho e o 'Sousa'

Durante dez anos o Vincente Borga Bar "esteve cheio todos os dias". E Joaquim Caixeiro animava o palco todas as noites. "Sempre com a ideia de um dia vir a gravar um disco a solo, mas como sou muito preguiçoso fui adiando e dando textos meus a outros artistas, como o Fernando Pereira." Em 96, Joaquim consegue finalmente "vencer a inércia" e decide avançar para a gravação de um disco, apresentando-se para tal sob o nome de Quinzinho Portugal, assumindo um visual que inclui barrete de campino, óculos escuros, camisola da selecção nacional, fios de ouro... "Tentei reunir alguns elementos simbólicos de Portugal dentro dessa figura. Foi uma personagem que criei - porque quis salvaguardar um bocado a minha imagem." Editado em pleno boom da música pimba, o disco foi um enorme sucesso. "Tentei ridicularizar e caricaturar um bocado tudo aquilo... Mas se as pessoas ouvirem bem as minhas canções perceberão que há ali ingredientes culturais e com alguma mensagem." Do álbum de estreia de Quinzinho Portugal, intitulado "Bacalhau Pimba", destacou-se o tema "Sousa da Ponte". "O Sousa é uma personagem nortenha, um pintas, uma espécie do Esteves do Herman." No ano seguinte, Quinzinho Portugal volta à carga com o CD "O Sousa no Alentejo". "Foi para descentralizar um bocado, até porque as pessoas já estavam a querer colar-me ao Futebol Clube do Porto." O sucesso continuou a não querer descolar de Quinzinho Portugal, tanto mais que o artista, apesar de não editar nada há cerca de quatro anos, mantém vivas as solicitações para espectáculos. "Tenho este Verão completamente preenchido com actuações, o que ainda se deve à popularidade desses dois discos." E quanto ao seu terceiro álbum, a sair provavelmente perto do final do ano, Quinzinho Portugal deixa desde já o título: "A Berdadeira Estória do Sousa".

Amílcar Fidélis / Correio da Manhã, 27/07/2001

Micaela



Os orgulhos da carreira... "O objectivo desta pergunta é, concerteza, saber se eu vou cometer o pecado do orgulho... (mas tramei-os – os meus pecados são outros!) Bem... orgulho-me de ter começado a trabalhar na rádio quase por acaso e orgulho-me de já ter colaborado profissionalmente, na Rádio e na Televisão, com quase todas as pessoas que eu sempre admirei – é o caso de Olga Cardoso, só para citar alguns nomes!"

A música preferida... "Isto depende muito de quem a canta... gosto do «Big Gay Heart» dos Lemonheads e divirto-me com o «It’s Raining Men»... Aleluia!. Para um fim de tarde, entre uma bejeca e o belo do tremoço, Micaela, e para os momentos mais nostálgicos... Madredeus."

O filme preferido... "I’m incurably romantic" e até um pouco pimba por isso prefiro filmes de amorrrrr... Vejo sem me cansar «Out of Africa», de vez em quando revejo os «Juncos Silvestres» mas aquele que eu realmente prefiro é... «As Pontes de Madison County». Há uma Meryl Streep em cada um de nós..."

A frase mais comum e/ou um ex-libris... "Um grande bem-haja e obrigado por seres quem és!"

JOSÉ CARLOS MALATO

Perfis
As vozes que animam a "Nova Rádio Comercial"
2003

sábado, 15 de maio de 2010

Quim Barreiros na Universidade

MASSIFICAÇÃO E INDÚSTRIA DA CULTURA NO PORTUGAL DOS PEQUENINOS

 "O Bacalhau quer alho/ é o melhor tempero/ quem comer alho/fica rijo que nem um pero"
(citação de uma Ode declamada por um jovem bardo alucinado imitador do glorioso Quim
e deitada ao mar num programa intitulado Made in Portugal)

QUIM BARREIROS NA UNIVERSIDADE

1.A RTP costuma exibir um programa de "tops" do "mundo da canção" made in Portugal. O programa, que tem veleidades antropológicas, anda à procura da portugalidade cançonetista e exibe documentos sociais e estéticos merecedores de elevada atenção. Não posso deixar de destacar com todo o enfâse uma ode cujo título exacto desconheço mas que, por questões de referência temática designo por "Bacalhau."
"O Bacalhau" é um hino à "dimensão kitsch" de uma certa imagem da portugalidade. Para quem nunca viu é preciso descrever. Um gaiato, com boa ou má voz pouco importa, apresenta-se de colete ruralizado e de chapéu "popular", numa alusão clara ao inenarrável grande timoneiro do "Pimbismo" nacional. A cria imberbe avança para a pantalha e canta ao som de uma melodia simples e de um ritmo que apela ao trauteio e ao abanar da perninha: "O bacalhau quer alho/ é o melhor tempero/quem comer alho fica rijo que nem um pero." Toda a preocupação da sua performance é imitar a imagem do macho folgazão e brejeiro que faz do sexo uma coisa dúbia e libertina. O que fascina nestas brejeirices é a intrínseca censura ao sexo mesclada com a licenciosidade hipócrita. O "pimbismo" libertino é inofensivo sob o ponto de vista da realização do que promete. É da mesma ordem da pornografia e da obscenidade: mercadoria que serve a libertação das pulsões sem que estas, verdadeiramente, se realizem.

2. O cenário em que a performance se executa é a revelador . Trata-se de um universo mais ou menos familiar ou descontraído de uma certa pequena burguesia fascinada que contempla com olhar cumplice as traquinadas do garoto. Os adultos, bigodudos e babados, dizem de si para si: "O pequeno já parece um homem." Os "manos" e as "manas" (existem alguns adolescentes) até podem ser eventuais frequentadores de uma Universidade, daquelas onde o grande timoneiro da música pimba triunfou. A casa é modesta mas limpa quer de livros quer de sujidade. É o lugar de descanso e de descontracção brejeira de uma família "trabalhadeira" que regressa depois de um dia de trabalho e se compraz num "inocente" trocadilho de conotações sexuais. A televisão faz-lhe o favor: ao ver-se a si própria no écrã, aquela família, exemplo da serena "portugalidade" sente-se, ao mesmo tempo caricaturada e retratada. Isto é: reconhece-se e ri de si mesma. Os trejeitos que ela mima com sinceridade embasbacada são os seus.


3. Made in Portugal já alcançou os palcos das universidades e invade os cantos mais recônditos da vetusta sabedoria académica. Infiltra-se na sisudez solene do elitismo coimbrão e até pousa na insuspeita Aula Magna onde actuaram os cantores que embalaram a geração que se deliciou com Roland Barthes. Imaginemos um concerto protagonizado por um títere do "nacional pimbismo". Já aconteceu precisamente no Auditório da Aula Magna. O bardo afagou o bigode e contemplou a assistência com o olhar matador. Sacou do acordeão. A voz do "povo" ecoou na sala: foi o triunfo do bacalhau brejeiro em pleno universo da academia. Dizia Brecht que a cultura universal foi erguida sobre excrementos humanos. Como já poucos se interessam pela cultura humana, a distinção implícita na frase tornou-se inóqua. O que realmente fede no louvor ao olfacto, primorosamente efectuado na celébre "Ode ao Teu Bacalhau, Maria", já lançava um vago odor em seu redor envolto na celebração hipócrita da própria ideia de cultura. Quando a cultura foi transposta para a fruição basbaque de um público excitado, a voz do Tanhauser logo se deu lugar ao grito do Quim

4. Havia algumas condições prévias a cumprir para que a realização absoluta deste projecto de "democratização cultural" triunfasse. Era urgente que a cultura perdesse a inocência e deixasse de ser uma parte da vida para se tornar mera ideologia. Ou seja, era preciso que se tivesse tornado "cultura. A autonomização do discurso cultural está irremediavelmente ligado à sua degradação. A partir do momento em que a aura foi substituida pela musealização e pelo triunfo da ideia de património, a simples deconstrução do discurso cultural abria a caixa de Pandora do Kitsch: da contemplação solitária da obra de arte à sua aquisição na loja dos trezentos - em imitação asiática - faltava apenas dar um passo que alguns, mais argutos, adivinharam curto. Se a cultura já era apenas um puro discurso sobre a cultura, já só faltava perder a vergonha e assumir com clareza cristalina a evidência: sosseguem académicos ! é possível ler Hoderlin ao som de Quim Barreiros.

5. Perder a vergonha não foi, ainda assim, um acontecimento fácil. Verificadas as condições de massificação generalizada do ensino, cilindrada a classe média, reduzida à proletarização do recibo verde do funcionalismo que vai de carro para o trabalho, o "igualitarismo" ganhou alma e forças para triunfar, democrático e medíocre, triunfante e hegemónico. Voraz, mais arrasador do que nivelador, o gosto das "massas" assumiu-se como um verdadeiro torvelinho que arrastou para dentro de si qualquer veleidade. A competência passou a ser entendida como pretensão ao armanço; toda a presunção ética ou estética foi invectivada de presunção, digna da censura castigadora e democrática lançada por um bigodudo vociferador: "Ó meu, tást'e a armar" (é assim que se deve dizer no mundo do de um certo Made In Portugal).
A mobilidade social, ao contrário do que geralmente se pensa, não foi um processo linear de ascensão em direcção ao topo de uma piramide hierárquica. O que em Portugal (e na Europa) se terá passado não foi um simples fenómeno de novo riquismo. Ao lado dos novos ricos (alguns) deu-se o fenómeno da ascensão social dos "pobres envergonhados" (muitos), uma vasta miscelânea composta pelas pessoas que ainda tinham dinheiro e, também, pelas pessoas que já tinham algum dinheiro. O resultado não foi uma verdadeira generalização da qualidade de vida, ainda que esta tivesse dado alguns passos. Ao universo elitista de um Portugal feito de diferenças seguiu-se o triunfo aparente das falsas igualdades. Na verdade, na verdade, o que é diferente continue a sê-lo ainda que de outra maneira…

4. O triunfo do "pimba", com direito a concerto na Aula Magna e a lugar de destaque na Semanas Académicas, é o espelho desta enorme síntese onde todos os equívocos triunfam. O maior de todos aconteceu quando se passou a legitimar a música "popular" do universo pimba, como se fosse algo trivial e de somenos importância. O novo discurso sobre a cultura seguiu um percurso manhoso, bem adequado a todas as confusões que este fim de século se proporciona. Começou por se dizer que a celebração de uma outra cultura era mero resquício "rançoso" do saudosismo da cultura clássica. O triunfo do prazer (ou de uma certa imagem "publicitária" do prazer) permitiu a generalização da trivialidade. Mais: a trivialidade tornou-se "gira", quase tanto como dantes era "giro" ser-se intelectual e andar com os óculos mergulhados em grossos infólios de capa vermelha. O passo seguinte foi desculpabilizar a trivialidade e sancionar este triunfo deste pseudo-igualitarismo como se fosse uma atitude inteligente. A gargalhada da mulher de Trácia - que se ria dos intelectuais por eles serem distraídos mas também por ela ser ignorante- generalizou-se sob a aparência de uma nova forma de inteligência crítica. Derrubados os últimos pilares da consideração elitista da cultura clássica os passos seguintes foram dados de sopetão: legitimou-se finalmente, a cultura pimba e o Quim pode finalmente lançar uma piscadela de olho aos intelectuais e aos universitários. O triunfo da Revolução saldou-se, ao fim e ao cabo, no triunfo do João Baião.

5. A universidade elistista e serena como um lago estagnado (que já Eça de Queiroz criticava no final do século XIX) não regressa. A Universidade deixou de ser uma torre de marfim para passar a ser uma torre de plástico. Descontados os exageros da massificação generalizada, não voltaremos ao universo segregacionista e sorumbático do universarismo coimbrão.
Na verdade, há décadas que esse universo se esbroava, antecipando em passos de veludo o torvelinho massificador e democrático que se generalizou a partir de meados dos anos oitenta.
Porém, o ensino reflecte a vida de um país com os seus defeitos e qualidades. Se a distracção não é um crime, nem é obrigatório que as chamadas elites passem a vida numa contemplação ensimesmada da cultura clássica, com os olhos em bico sobre sonetos de Camões e de Antero, ou em acesas tertúlias musicais, cinéfilas e culturais, importa lembrar que em Portugal não há verdadeiro direito de escolha. Ao contrário do que se passa nalguns países (onde o mesmo operário que abana a perninha ao som dos diferentes "pimbas" locais pode ser simultâneamente um activo consumidor de livros e de jornais, de concertos e de óperas), em Portugal, o tal igualitarismo tem-se reflectido muito mais num percurso feito de baixo para cima, no sentido inverso aos ponteiros da Inteligência. Dito de outra forma: a música pimba e toda a cultura que gira em seu redor pode ser uma inocente manifestação trivial de insuficiência de gosto quando é encarada como mera pausa, relaxe inofensivo ou, vá lá, distracção da razão Porém, ganha um significado social profundo quando se torna cultura hegemónica e fonte principal de prazer estético para largas camadas da população que nunca tiveram acesso a outros géneros. Quando, ainda por cima, a propalada elite se torna, ela própria, mimo deste tipo de estar e de gostar, numa celeberação eufórica de uma igualdade rasteira, pde-se afirmar que a democratização deu lugar à "mediocratização", uma nova forma de domínio que se estabelece com as mãos limpas de qualquer sangue.
O Quim entrou na Aula Magna. O número de Doutores e de Engenheiros aumentou consideravelmente. Porém, o número de consumidores de jornais e de livros decresceu perigosamente.

6. Há lugar para pensar que possa ser de outra maneira? A Universidade tem de ser, deve ser, um ponto de referência, ou seja um lugar de crítica. O que dana na penetração do universo pimba no mundo da academia é o seu significado social, o sintoma que comporta enquanto corolário de uma massificação feita sem tino nem norte. Não posso acreditar numa Universidade onde as pessoas se preparem para ser meros técnicos competentes, possuidores de um jargão especializado. A Universidade deve criar espaços de resistência e padrões de exigência. A proliferação de Cine Clubes e de teatros, de grupos de música, a entrada dos estudantes nos universos da arte não pode ser uma obrigação no sentido estrito. Todavia, deve ser um acontecimento que decorre com a naturalidade própria de quem se pretende olhar a si mesmo como espaço de resistência à vulgarização. Ou será que é tudo um espelho de vaidades?
Nesse sentido, olho com especial curiosidade a criação do Curso de Língua e Cultura Portuguesa, enquanto pedra de base de uma futura Unidade Científica de Artes e de Letras. Há doenças que só se combatem por contágio. Cedo ou tarde, a revitalização das Universidades (que passa pelo combate à generalização da orgulhosa "cultura politécnica" que tudo permite e que medra em todos os cursos) exige o lançamento de novos anti-vírus. Espalhemo-los sem grandes ilusões, mas conscientes de que, apesar de tudo já se vai sempre um pouco tarde demais.

João Carlos Correia
Universidade da Beira Interior

PS: Alguma fúria que extravasa neste texto ascende ao tempo em que ele foi feito. (1987) Parece haver uma relativização do fenómeno pimba. Mesmo assim, nada que induza ao sosssego.

NAB: Talvez de 1997 e não 1987

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Pimba

Pimba é uma interjeição da Língua portuguesa. Nos anos 1990 do Século XX o seu significado alargado à classificação de um estilo de música, mais popular, em Portugal.

Wikipédia

O adjectivo pimba, termo depreciativo, ou seja, «palavra com conotação negativa», é «considerado de mau gosto ou vulgar»; trata-se de vocábulo «de origem onomatopeica».
 A palavra pimba ainda é uma interjeição «indicativa de um acontecimento imprevisto ou o desfecho de uma acção».

Em Portugal, chama-se «música pimba» a algumas canções ligeiras, com letras consideradas de mau gosto por certos sectores, mas aqui já entramos no campo da opinião, fora, portanto, do âmbito de Ciberdúvidas.
A referência «a algo que é pimba» tem, regra geral, uma conotação negativa.

[Fonte: Dicionário da Língua Portuguesa 2008, da Porto Editora]

Carlos Marinheiro :: 27/04/2010

domingo, 25 de abril de 2010

Saul ab initio

Saul ab initio - as it began:

O mestre Quim Barreiros

- COMENTÁRIO TÉCNICO -

Arte alguma é construida sobre um vácuo. No complexo processo de criação, quantas influências devcm ser consideradas primeiro até que surja uma singela ponta de originalidade! Se estivessemos a falar de Aristóteles, o maior génio da Antiguidade, não seria  despropositado um comentário oportuno a Platão, que, partindo dos sapientes ensinamentos de Sócrates, estabeleceu muitas das bases do pensamento ocidental. Não é Saul certamente o maior génio dos tempos que correm? Como tal, é no mínimo justo realizar uma homenagem sentida, ponderada, mas essencialmente merecida ao também Mestre Quim  Barreiros. Aqueles que porventura tenham tido a sorte de acompanhar com algum desenvolvimento a obra do Trovador Barreiros (como carinhosamente é apelidado dentro dos círculos intelectuais), lembrar-se-ão a este propósito, talvez imediatamente, daqueles seus célebres e apaixonados versos:

Deixa-me cheirar teu Bacalhau, Maria

Deixa-me cheirar teu Bacalhau!

Mariazinha, deixa-me ir à cozinha!

Oh! deixa-me ir à cozinha -

Cheirar teu bacalhau!

O famoso "Bacalhau". Aqui está ele - tendo se assim iniciado toda uma escola de pensamento, toda uma visão do munto, uma plenitude de interpretações do fenómeno ontológico, que viriam a atingir maturidade no seio da Poesia de Saul. Indagadores das grandes questões e sedentos da forma bela e sublime, achamos que este é precisamente o espaço ideal para, com brevidade tomarmos o gosto a uma famosa criação de Quim Barreiros, "A garagem da vizinha", transcrita na íntegra aqui (recomendamos fortemente a sua leitura ).

    Esta é seguramente não só uma das criações mais espantosas de Quim Barreiros, mas também uma das composições da mais fina estirpe da poesia em língua portuguesa. Roçando por vezes um simplismo quase coloquial, a sua acutilância e profundidade não são de maneira nenhuma comprometidas. Só prova que os grandes temas podem ser abordados segundo moldes que, por detrás de um estrutura descomplexa, apresentam uma riqueza estrutural poderosíssima. Este poema apresenta-se como uma verdadeira alegoria - a fusão do "carro" com a "garagem" não é mais do que a busca do Homem da Realidade, que lhe é alcançavel apenas pela Linguagem, especialmente pela Arte Literária, que dentro de si esconde uma pluralidade de mundos, um sistema semiótico próprio, onde apenas os eleitos, como Quim Barreiros, se atrevem a embrenhar - e onde os curiosos, como nós, apenas pretendem possuir a vaga e vã noção das coisas.

A primeira estrofe, directa e concisa, coloca-nos a nós, leitores, rapidamente a par da relação dialéctica que servirá como ponto de equilíbrio da semântica deste poema: o sujeito e a "vizinha", por extensão o "carro" e a "garagem". Parece-me ser a fusão entre estes dois elementos o ponto primordial de análise no âmbito desta criação poética. Curiosamente, no poema atrás citado (Deixa-me cheirar teu bacalhau), regista-se uma dialéctica muito semelhante - entre o sujeito e o bacalhau do destinatário, a Mariazinha.

Surgem então perguntas legítimas e coerentes: quem ou o quê desempenha os papeis estabelecidos pelo poema? Qual o espaço semântico a ser percorrido entre o sujeito e o seu "carro", e a vizinha e a sua "garagem"? Um indício de que a fusão entre os elementos considerados se concretiza é claramente evidenciado na estrofe primordial desta composição:

       Ponho o carro, tiro o carro
        À hora que eu quiser!
        Que garagem apertadinha,
         Que doçura de mulher!
    Tiro cedo, ponho à noite
             E também de tardezinha.
Tô até trocando óleo
           Na garagem da vizinha.

Uma dos guias possíveis de interpretação deste poema pode ser encontrado no pensamento de um filósofo moderno, fundamental na formação de Quim Barreiros, Wittgenstein. No seu Tractatus Logico-philosophicus, este filósofo afirma que "o sentido do mundo deve encontrar-se fora do mundo" - mais, "os limites da minha linguagem significam os limites do meu próprio mundo". A ponderação destas ideias leva-nos a estabelecer uma dialéctica entre a linguagem, como sendo a nossa cristalização do mundo, e o real, que podemos atingir apenas através da linguagem. Numa dimensão mais artística (a que eu prefiro chamar de "filosofia" artisticamente sublime), o cultivo da linguagem por meios retóricos é assim a mais séria das ponderações epistemológicas. De novo, apelo a outro existencialista, neste caso Heidegger, que afirmou: "A essência da arte é o Poema. A essência do Poema é a instauração da Verdade". Assim se verifica que através da Poesia é possível atingir uma aproximação da verdade, que, de tão brilhante, nos engana, tolos que somos na busca de certezas inalteráveis e de prazeres absolutos.

Esta dialéctica, que enuncio de novo, entre Linguagem (Poesia) e Mundo (Verdade) encontra um paralelo magnificamente trabalhado pela ligeira pena de artista de Quim Barreiros. O sujeito não é mais do que um Paladino da Arte, da Poesia e da Linguagem, que através do seu engenho (o seu "carro") persiste na perseverante busca da Verdade. Será então legitimo associar a "vizinha" à Verdade, enquanto abstracção cognitiva? Certamente, mas com algumas cautelas. É o próprio sujeito poético que nos dá a conhecer algumas condicionantes desta ideia. Sabemos que alguem abandonou a "vizinha"; mais, a sua "garagem" já foi usada. Sendo a vizinha uma clara personificação da Verdade, não será incoerente afirmar que a Garagem será um meio de aproximação àquela. Tudo me leva a crer que esse meio de aproximação é a Poesia - e fundamento a minha proposta no enunciado, já citado, de Heidegger: "A essência do Poema é a instauração da Verdade".

A consequência mais directa desta associação de ideias é a interpretação deste poema como um elogio da Poesia, meio (ou "garagem") já utilizado por muitos, não inédito. A Poesia, de facto, perdeu há muito a sua virgindade; dentro de si encontra-se uma pluralidade de mundos, um sistema semiótico próprio, onde apenas os eleitos se atrevem a embrenhar - e onde os curiosos, como nós, apenas pretendem possuir a vaga e vã noção das coisas. Aplicando estes pressuposto às personagens da nossa alegoria (título que assenta perfeitamente nesta composição, pelas razões até aqui expostas), podemos acrescentar que o objectivo do sujeito é, então, fundir-se com a Verdade (isto é, procurar conhecê-la) - penetrando a "garagem" com o seu "carro", que, recordamos, é o seu engenho, a sua capacidade de criação poética, que, sob a "chuva" das dificuldades da existência, ameçava "enferrujar". Sobre o "carro" afirma ainda o sujeito que, por muito que tente atingir o sublime, peca irresistivelmente pela sua dimensão física, logo mortal.

   Só que meu possante tem
    Uma linda carretinha
     Que eu uso pra vender coco
       Na minha cidadezinha.
    Mas a garagem é pequena
               E o que é que eu faço agora?
O meu carro fica dentro
      Os cocos ficam de fora.

O sujeito, ansioso por atingir a abstracção, esquece-se da sua dimensão humana - aqui representada numa metáfora engenhosa pelos "cocos", através dos quais estabelece a sua vida comum, terrena (compreensível pela alusão à venda na "cidadezinha"), longe da essência real das coisas. Assim, não é de admirar que, no momento de contacto com a "vizinha" ( a Verdade), através da "garagem" (a Poesia, ou Arte Poética), os Cocos (a dimensão física do Homem) fiquem "de fora". O caminho para o Real é, talvez paradoxalmente, abstacto, não concreto.

Lidas as linhas gerais desta sensacional criação, resta fazer uma alusão final à forma enigmática com que o poeta termina a sua elocução:

A bondade da vizinha
             É coisa de outro mundo!
         Quando não uso a da frente
            Uso a garagem do fundo!

Qual será o meio alternativo de se atingir a Verdade? Qual é o caminho obscuro que devemos percorrer para alcançar a Essência? Esta "garagem do fundo", propositamente deixada para o fim do poema, mostra-nos que a solução de um problema é a origem de vários outras interrogações. A garagem do fundo não é mais do que a pura interrogação da Verdade pela não afirmação - caso se compreenda a Poesia (enquanto concretização linguística) como afirmação, construção de significantes. Esta "garagem do fundo" é certamente um meio doloroso de se atingir a "vizinha" - pela descrença e desconfiança que pode gerar, caso se, na ânsia de se desmentir, se esqueça de se afirmar.

Concluída esta breve análise geral, gostaria de, por escolha pessoal, citar um génio nesta elogiada ars poetica. Na sua "Advertência" , nas "Folhas Caídas", Almeida Garrett resume muito bem aquilo que Quim Barreiros expõe de forma alegórica na sua composição "Garagem da Vizinha". Uma homenagem a todos os poetas, mas que, neste caso, quero, à laia de conclusão, aplicar muito especialmente a Quim Barreiros.

 "O poeta é louco, porque aspira sempre ao impossível  (...)

Deixai-o passar, gente do mundo, devotos do poder, da riqueza, do mando, ou da glória. Ele não entende bem disso, e vós não entendeis nada dele.

Deixai-o passar, porque ele vai aonde vós não ides; vai, ainda que zombeis dele, que o calunieis, que o assassineis. Vai, porque é espírito, e vós sois matéria.

E vós morrereis, ele não. Ou só morrerá dele aquilo em que se pareceu e se uniu convosco. E essa falta, que é a mesma de Adão, será punida com a morte.

Mas não triunfeis, porque a morte não passa do corpo, que é tudo em vós, e nada ou quase nada no poeta"

--//--

Luigi Pirex, 10 de Junho de 2003

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 retirado do site saulrikardo

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ruth Marlene



A SEREIA DO TRUKA TRUKA

Romântica q.b, Ruth Marlene confessa-se apaixonada pela música mas deixa no ar a hipótese de estar paixonada. Vai ver o próximo ‘Big Brother’ mas, recordando a sua passagem pela casa mais famosa do país, garante que jamais se teria envolvido com Valentino, mesmo que ele não tivesse Namorada. Na praia, mostrou-se uma sereia inveterada

RUTHMARLENE

Praia é uma paixão?

Sim, mesmo no Inverno. Sempre que tenho um dia de folga, venho.

Como está agenda para este Verão?

Muito preenchida. Ando a fazer a 'tournée' de Norte a Sul. São muitos concertos, mas tenho sempre um ou dois dias de descanso por semana. E, nesses dias, aproveito e venho logo à praia. As viagens são muito cansativas, chegamos sempre às seis ou sete da manhã e às vezes só venho no fim do dia.

De todos os concertos qual o mais gratificante?

Todos eles marcaram a minha carreira. Mas talvez um que dei há pouco tempo em Fernão Ferro, perto da minha casa, onde estavam muitos amigos e muita família. Quando canto perto de casa é mais marcante.

E tem muitos fãs?

Sim, sobretudo crianças. É muito giro ver as crianças nos espectáculos com as cruzes como eu uso, com o rabo de cavalo como eu tinha e a cantarem as minhas músicas. Os maiores fãs são mesmo as crianças.

Sente-se um modelo para elas?

Sim, pelo menos é o que elas dão a atender nos concertos e até me fazem surpresas. Há grupos de meninas que imitam a Ruth Marlene e aparecem vestidas como eu. Acho imensa piada.

Quem é que trata da sua imagem?

A minha mãe. Ela fez o meu visual e o das minhas bailarinas.

A sua imagem está diferente

Era importante mudar. Este disco quer dar um ar mais de menina.

E enquanto mulher?

Sinto-me mais madura.

Qual o conceito que pretende passar com este novo visual?

Uma imagem de Verão. Este disco é de Verão e o visual acaba por estar associado à música e é isso que a minha mãe faz em todos os discos. Eu também dou umas ideias mas é ela que cuida de tudo.

A música 'Truka-Truka' porquê?

A brincar e num tema divertido e alegre, tento transmitir que hoje as pessoas não pensam tanto em amor e deviam dar-lhe mais importância. É como diz a música: hoje em dia "esta malta está maluca, já não pensa em amor, só pensa no truka-truka" Já não há aquele romantismo de antigamente. É isso que quero, que haja mais romance.

É muito assediada pelos homens?

Todas as mulheres são.

Esse assédio cresceu com o ‘Big Brother Famosos’?

Acho que não.

Como é o homem ideal?

Sincero, fiel, divertido e, acima de tudo, meu amigo.

É namoradeira?

Gosto de estar apaixonada. Faz bem a todas as pessoas. Se estou apaixonada agora? Mistério?!? [risos] Ando apaixonada pela música.

O que sente quando lhe atribuem romances com o Valentino, o Olavo Bilac ?

Acho piada e só me dá vontade de rir. Os artistas estão sujeitos a isso. É muito triste, mas desde que não inventem coisas mais graves

A fama é boa?

Compensa muito. Quando se faz o que se gosta, vale a pena.

A sua irmã Jessica também canta. Nunca pensaram cantar em duo?

Neste disco temos uma música em conjunto ?'Amor de Irmãs' ? que fala da nossa amizade. Queríamos uma música mesmo nossa. No ano passado também gravámos um tema juntas ? 'Cavaleiro Sedutor'. Um dia, gostava de gravar um disco com ela.

Cantar era um sonho de criança?

Aos 3 anos já gostava de cantar e punha-me em cima da mesa da sala. Na altura, todos me diziam: "sai daí, não cantas nada!" [risos]Ninguém me levava a sério. Quando entrei para a primária, formei um coro na escola e passei a organizar festas para cantar. Mas isso não me levou a lado nenhum. Então resolvi aprender um instrumento e, assim, já não precisava de ninguém para me acompanhar. Fui aprender piano, com sete anos, e o meu primeiro espectáculo foi uma audição de piano numa igreja. Também estive num rancho folclórico, toquei acordeão

E a primeira vez em palco?

Ainda nem tinha 10 anos. Eu cantava, o meu irmão Ivo tocava e começámos a fazer espectáculos. Aos 10 anos gravei o primeiro disco ?'A Paz é Sempre Benvinda'. Era um disco para crianças. [risos] Eu também era uma criança. A partir daí, passei a ter sempre espectáculos. Mas só comecei a ser conhecida aos 17 anos, com o 'Só à Estalada'.

Dizem que canta música 'pimba'.

Chamem-lhe o que quiserem. Sou uma artista de música popular ligeira. É isso que eu sou e não tenho vergonha nenhuma.

Gostava de experimentar outro género musical?

Já experimentei no meu segundo disco ? 'Baby love, goodbye' ? para as comunidades portuguesas. Era mais 'pop'. Tinha 12 anos. Mas não tinha muito a ver comigo.

E quer experimentar outras áreas? Gosta de representar. Já fiz teatro, aos 17 anos, mas desisti.

E qual o papel que gostaria?

Gostava de ser a actriz principal num filme romântico.

A carreira de cantora é rentável?

É a minha vida e tenho sobrevivido. [risos] Tenho o que toda a gente tem: uma casa, um carro

Que outros sonhos tem?

Não costumo sonhar muito alto porque gosto concretizar os meus sonhos. Não gosto de imaginar coisas impossíveis para não me decepcionar. Não é preciso ter muita fama. Mas quero fazer os meus concertos, ter saúde, estar sempre com a família e ser feliz.

BIG BROTHER IS WATCHING YOU’

Ainda se lembra muito do ‘BBF’?

Guardo os melhores momentos, quando estávamos ocupados. Os outros eram um pouco chatos. Nem vi as imagens, não estou curiosa. Talvez daqui a uns anos...

Na altura, se o Valentino não tivesse namorada acha que se teria passado algo entre os dois?

De certeza que não. Ele não é o meu estilo. Somos amigos, mas as pessoas confundem as coisas.

Falam-se ainda?

Sim, se nos encontrarmos cumprimentamo-nos. Mas, depois da casa, cada um tem a sua vida e seguiu o seu rumo.

Arrepende-se de alguma coisa no ‘BBF’?

Não me arrependo de nada.

Voltaria a participar?

Para já não.Quero andar na estrada porque é isso que gosto de fazer.

’QUANDO ENCONTRAR ALGUÉM ELA DIZ’

Não raras vezes inventam romances a Ruth Marlene e último namorado que lhe atribuíram recentemente é Nuno Paiva, da ‘boysband’ ‘Os Astros’. Mas a mãe da cantora desmente categoricamente: “Ela até anda zangada com esses boatos. Sem desfazer do rapaz, não acredito nada que ela fosse por ali. E como é que tem tempo para namorar com tantos concertos? Fiquem descansados que, quando ela encontrar alguém, ela diz.” Fica o aviso.

B.I.

Nome: Ruth Marlene

Idade: 26 anos

Signo: Peixes, ascendente Peixes

Livro: 'A Bíblia'

Filme: 'Jovem Demais para Morrer'

Mania: Dormir de porta fechada

JESSICA

A MANA MAIS VELHA

O que acha da carreira da sua irmã?

Ela sempre esteve muito bem e é um sonho de criança já realizado. E ainda pode ir mais longe. O nosso país não dá valor aos artistas que tem.

Acha que alguma vez vai ter o sucesso da sua irmã?

Não, penso que não. Embora ande na música desde pequena, comecei mais tarde ?só há cinco anos ? a fazer espectáculos. Mas nunca quis estar na sombra da minha irmã. E às vezes até só um pouco prejudicada por isso. Mas estou contente com a minha carreira. Posso não ser assim tão conhecida, mas tenho espectáculos e isso é o suficiente para me sentir feliz. E estou a tirar o curso de Psicologia.

Quais são as principais diferenças entre os vossos estilos de música?

As letras da Ruth talvez sejam mais brincalhonas. As minhas são mais letras de amor. Foi o Emanuel que produziu e são mais na onda dele

Sofia Canelas de Castro / Correio da Manhã, 15/08/2003

domingo, 4 de abril de 2010

Subtilezas Porno-Populares

Cantigas de Bloqueio - Ex-Votos - ET94002 (CD)
   
    * Barbie
    * Canção do Ladrão
    * Texas Kid*
    * Se o Bordalo Fosse Russo
    * Visita de Estudo às Caldas da Raínha
    * Esta Vida oioiai*
    * Por Falar em Descobrimentos
    * Felicidade (e o Sangue a Correr)*
    * Tempestade*
    * Subtilezas Porno-Populares*

Letras: Zé Leonel / Músicas: Zé Leonel e Ex-Votos
- Já sei que não gostas da minha maneira de falar mas eu tenho que te dizer, tu para mim " és boa como o milho".

- Há bocado passaste por mim e chamaste-me vaidoso, mas é "grupo" contigo, vai doze, vai treze, vai quatorze, vai aquelas que conseguires aguentar... MINHA LINDA...

- Se a gente se pudesse encontrar aí fora, a gente fazia umas coisas jeitosas, por exemplo: eu passava-te com a língua pelas orelhas, tu sentias um arrepio na espinha, mas era bom... depois, depois eu punha-te as mãos nos faróis da frente, tu acendias os máximos, a gente enfiava-se para aí numa escada qualquer... E PIMBA...

Visão, Ilusão
Sedução, Aproximação

Paixão, Tesão
Fodão, Desilusão

Visão, Paixão
Vai à mão...
Continuação, C'est la vie...
C'est la vie...

Zé Leonel - Zé Leonel e Ex-Votos

http://www.terravista.pt/Guincho/8858/subtilezas.html

(foi com este tema que a palavra Pimba virou moda)